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Nana Mamãe

Então, após outra noite de sono picado, em parte pela insônia, em parte pelo bebê que deu de acordar mais cedo e não dormir de novo, chega a hora da mamada de almoço.

Ele mama, dorme, coloco no berço em sono gostoso. Neurótica, resolvo aproveitar para limpar uma sujeirinha atrás da orelha, ele acorda, feliz, sorridente, mamãe me tira do berço, vamos brincar.

Hoje, como nos dias anteriores, ele não dormiu direito pela manhã e fez só 30min de soneca. Já há três horas seguidas acordado, resolvo insistir. Chupeta, paninho, ele se debate, cospe a chupeta e sorri, mamãe me tira do berço, vamos brincar.

Eu também preciso almoçar, filho, você não sonecou hoje, está embalado desde às 6h praticamente. Neném precisa dormir e a mamãe descansar. Cospe a chupeta, sorri, mamãe me tira do berço, bracinho agitado, vamos brincar.

Fico séria, mudo o semblante, filho, entende que essa voz não é de brincar? É hora de soneca. Ele ri. Tá me testando. To com sono, dorme, filho; eu sei que você tá com sono (impossível essa criança estar acordada ainda, sem sono!). Ele ri e cospe a chupeta de novo. Mamãe, vamos brincar!

Tá, eu vou sair, vou te deixar aí no berço pra você dormir. Saio, ele brinca com os pés, 1min, 2min, ele chama. Volto. Argumento, séria. Nada, saio, ponho água pra ferver. Hoje vai de macarrão instantâneo (mas integral, que sou saudável). Ele choraminga, volto. Viu filho, a mamãe disse que ia sair e saiu. Dessa vez, ela vai sair e terminar o almoço e você vai ficar aí até dormir. (Eu li Nana Neném. Domino a arte. Essa criança não pode me vencer – porque né, criar um filho não é ensinar o equilíbrio, é tipo uma competição pra ver quem subjuga quem). Culpa bate, mas vai dar certo, é o método. Só hoje.

Ele chora. Macarrão termina. 3 ou 4 min sozinhos. Volto ao quarto, sento do lado do berço, recoloco a chupeta, recomeço tudo. Dessa vez ele chora me olhando, eu insisto na chupeta, ele força pra cuspir, eu viro de lado, ele desvira, eu falo séria, ele chora e me olha, por que, mamãe? Eu quero brincar com você.

40 min assim? Ele chorando, triste e eu tentando ser uma mãe que eu não sou? Chega, já não tinha queimado mentalmente essa droga de Nana Neném?

Tiro o bebê do berço. Vamos pra sala, deito ele no tapetinho, ele sorri pros brinquedos e me olha como se nada tivesse acontecido. Sento, abro o note, mensagem e notificação no FB. Choro, choro compulsivamente enquanto respondo, de sono, de cansaço.

Ele escuta, pára de brincar, começa a me olhar e vem com a mãozinha. Olho pra ele e ele sorri de volta. Choro, choro mais ainda, explico que a mamãe tá muito cansada, só isso. Ele continu me fitando, esquece os brinquedos. Deito no chão do lado dele. Ele me olha de novo, tentando entender, vem com a mãozinha, sorri, depois fica sério mas terno, ainda me encara, mamãe, tá tudo bem.

Olho os seus olhinhos. Choro de emoção e de culpa.

Ele não me deixou chorando no berço.

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Cadê o soninho que tava aqui?

O gato deve ter comido!

Migs e Nina, agorinha… [sem neura, gente, por favor]

O Migs sempre foi um lorde em termos de sono. Começou a esticar mais de 4hrs de sono com 5 semanas e no início do terceiro mês já dormia das 22h às 7h30 quase todos os dias. Durante o dia, sempre fez 3 ou 4 sonecas, sendo que ao menos em 2 delas dormia 1h30min, 2h. Uma beleza. Nem todos os dias eram assim, claro, mas em mais da metade da semana havia um padrão.

Viajamos, a rotina parece que deu uma bagunçada junto com as mamadas. Passaram a ter menor duração e ficaram mais frequentes. Pra um neném que mamava de 3h-3h sem precisar pedir, houve dias em que amamentei a cada 1h30-2h durante todo o dia. É novo pra mim. É novo pra gente.

Cadê as sonecas? Pela primeira vez ele esticou quase 5 horas seguidas acordado. Nunca vi um bebê tão bravo na hora de dormir a noite. De sonecas beeeeeem aproveitadas, na última semana sentia alívio quando ele pegava no soninho por 40 min. Bebê passou a ter crises de irritação durante o dia e esboçar choros e bailinhos para dormir a noite. Algumas acordadas extras de madrugada.

Justamente nas últimas 2 semanas em que as alterações foram maiores, fiquei com uma gripe filadaputis, garganta e ouvido inflamados… quase 15 dias sem beijar meu bebê, capengando pra acordar, usando máscara em todo o tempo em que estávamos juntos. Houve estranhamento no começo, depois ele aprendeu a ler o sorriso da mamãe pelo olhar e ficou tudo bem. Bom, a gripe passou e ele não deu uma tossida sequer ainda. Não era resfriado, portanto.

O carão rechonchudo sumiu; de gordinho para fortinho. Muito corado, muito esperto e sem choros de fome. Teste do leite: ok. Tem leite aqui. É, eu sou surtada de medo de faltar leite. Queria que bebês pudessem mamar exclusivamente até um ano. Acho prático, do ponto de vista funcional. Acho uma realização, do ponto de vista maternal. É meu momento com meu filho. AMO. Mas na minha família não ouvi muitas histórias de amamentação prolongada, por isso, morro de medo.

Ai, ai, que que tá acontecendo?? Googlada e espiada no blog dazamigas = picos de desenvolvimento. Bebê descobrindo mais coisa no mundo = bebê mais agitado. Coincidência ou não, o comportamento do garoto alterou no mesmo período indicado nos textos. Ainda não tivemos o retorno na pediatra nesse mês, mas claro que vamos conversar sobre isso com ela.

Intuitivamente, mesmo ele não querendo dormir de dia, venho mantendo o mesmo procedimento diariamente. Quando dá 1h30, 2h de bebê acordado, levo pro berço, coloco a naninha, conversamos baixinho, faço um carinho e fico lá, ajudando ele a perceber que tá na hora de dormir. Sei lá, achei que, mesmo sendo uma fase de transição, seria melhor manter as coisas assim. Sempre acreditei que a gente tem que ensinar os bebês a dormirem, então fico lá dando uma ajuda, mesmo que resulte em 15, 20 min de naninha apenas.

De curiosa, ontem li sobre isso e achei um texto muito bacana no Baby Center e um no Multiply sobre o sono de bebês a partir dos 3 meses. Em ambos, explicavam que nessa idade o sono deles começa a ficar mais parecido com o nosso e eles podem adquirir a capacidade de dormir a noite toda e sozinhos. Quanto às sonecas, os dois textos enfatizaram a importância do sono reparador durante o dia e indicaram colocá-los para dormir durante o dia, mesmo que não tenham sono, para aprenderem mesmo.

Durante a gravidez eu fui daquelas que se encantou com o manual do bebê que chega onde tudo já existia e se encaixa lindamente na rotina dos pais. Na primeira semana do Miguel abandonei os manuais. Não vou deixar meu filho chorando porque eu quero que ele se adapte. Não vou deixar de niná-lo e de pegá-lo no colo se isso for TUDO o que ele precisa para sentir conforto. Pois é, a gente muda. Quem me viu, quem me vê.

Por outro lado, o Migs começou a dormir sozinho no berço por conta. É meio compridão, meu colo deve ter ficado desajeitado. Ele só descansa lá, o que se tornou um problema fora de casa, rs. Em compensação, ficamos com ele até pegar no sono, cantando, acarinhando, ou só olhando. Ele sabe que não está sozinho. De dia, dorme por conta mesmo, independentemente de estarmos com ele (eu sempre fico de olho, rs). De noite, o ritual do sono é com a família. Não somos desesperado quando ele acorda e chora. Vamos olhar, às vezes é só virá-lo de lado, recolocar a chupeta ou fazer um carinho, em outras pegamos, em outras, só mamar resolve. Faz parte. Pra gente dá certo e regra boa é aquela que dá certo para cada um.

Enfim, que desabafo né?!

To compartilhando porque queria que meu filho voltasse a descansar de dia. Fico tão preocupada com a falta do soninho. Hoje o coloquei para sonecar às 10h. Foram 20 min até ele desligar. Fiquei firme, ali do lado… será que foi a coisa certa? Será que não deveria ter ficado explorando mais coisas com ele? Não sei… senti um pouco de culpa. Tem exatamente 1h que ele está na naninha e to muito feliz, porque há uma semana ele não cochilava tanto de dia. Sou daquelas que acha o sono do bebê uma das coisas mais sagradas e queria me curar um pouco disso, rs.

Sei que passadas as próximas semanas de desenvolvimento ele estará ainda mais esperto e eu mais boba e encantada. To com o tal do celular e da câmera de prontidão o dia todo hahahahhaha. Gargalhadas repentinas, tremidinhas quando algo chama a atenção dele, mãozinha pegando tudo, mãozinha querendo passar a mão no meu rosto e no do papai, fraldinha levada à boca, encanto com os pés, mais tempo sentado, firminho, conversas com o Miguel do espelho, interação a mil, primeiros choros de estranhamento no colo dos avôs (coitados), simpatia distribuída na rua… fico ansiosa pelo que virá em seguida. Mas crescer precisa ser tão cansativo? Não dava pra rolar aquele soninho gostoso de novo?

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