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Retro 2011 e Feliz 2012!

Eu mal sei por onde começar. Esse é um post bem pessoal. Dos que lerem, sei que alguns pensarão: por que ela não guardou pra ela? Mas sinto imensa vontade de compartilhar com aqueles que tiverem saco e vontade.

Já me convenci que na minha vida tudo ocorre em ciclos: fases de perfeita harmonia, fases de grandes frustrações e decepções, fases de indefinições, fases de harmonia novamente. Parece que é assim com todo mundo, e deve ser mesmo. O que eu não posso negar pra mim mesma nem para os outros é que, por mais que eu possa parecer uma pessoa frágil, coraçãozinho aqui já enfrentou fortes emoções de todas as polaridades, negativas e positivas. E sobreviveu.

Não tenho vergonha de dizer que acredito saber lidar melhor com grandes surpresas do que com pequenas frustrações e alegrias do dia a dia. Lembro da primeira semana no meu último trabalho: precisava fazer algumas ligações simples para informar parceiros de que estávamos na ativa novamente. Tremia e gaguejava e não sabia como fazer. Posterguei até o limite e só sei que agi bem porque estava sob a pressão do tempo e de novas tarefas. Ou seja, acabo de entender porque meu marido diz que complico coisas simples (blog também é terapia).

Enfim.. por que essa volta mesmo? Ah! Em 2011 vivi uma fase de transição daquelas bem “haja coração”. Mas quem dera todos os enfrentamentos e mudanças fossem tão positivos!

Comecei o ano trabalhando na área que gosto e me preparando para o mestrado – ou seja, mentalmente, estava definido que daqui pra frente meu futuro profissional sairia dos planos e sonhos e seria brilhante!

Mas algo não estava no lugar no meu coração. E foi tentando consertá-lo para ter paz e seguir meu super futuro profissional que procurei entendê-lo a partir de algumas ações.

Parei de trabalhar, temporariamente, para me dedicar aos estudos. Em paralelo, tentei me dedicar mais ao meu casamento e a fiéis e bons amigos. Voltei a fazer terapia, abri mão dos alimentos que me fazem mal e, o mais importante, busquei novamente a Deus. Em resumo, tentei colocar físico, emocional e espiritual em harmonia.

Digo que o mais maravilhoso foi sentir o amor de Deus. Sou cristã de batismo, com algumas escapulidas ocasionais.. mas o Senhor nunca desistiu de mim. Me deu na vida duas chances de viver – 1983 e 2006 – e senti que estava fazendo dela algo menor. Ele sempre se fez presente, mesmo quando O reneguei. Uma hora, o filho à casa torna. E Ele, como Pai, nos recebe prontamente. Deus é uma cara tão educado que não força a porta do nosso coração, fica ali do lado, esperando o nosso convite para entrar ou a nossa volta.

Nessa caminhada, contei com o apoio de padrinhos, amigos, família e de um padre, me incentivando e orientando, e do Ulisses, que sempre respeitou minha caminhada. Foram os primeiros grandes presentes de 2011.

Nessa busca, uma Mãezinha que sempre rejeitei se revelou. E a partir da aceitação dela, muitos outros relacionamentos começaram a ser reconstruídos e passei a compreender meu desejo oculto de ser mãe. Então, um pedido de resposta do reveillon passado foi atendido e esse desejo compartilhado.

Aguardamos a chegada do Miguel, sem dúvidas, a maior bênção e o maior de todos os presentes desse ano. Embora seja uma gestação tranquila, cuja orientação atual é não engordar nos próximos meses no mesmo ritmo do último, rsrsrs, já teve suas pequenas lutas e grandes vitórias (o que já foi registrado aqui no blog), o que a torna ainda mais especial.

Nesse meio tempo, conquistamos várias coisas como casal. Hoje, tudo parece ter acontecido sucessivamente, no momento certo para que o que viesse depois tivesse onde e como se apoiar. Vejo claramente a mão e o tempo de Deus em cada projeto realizado – sonho preexistente ou não.

Pois é. O que parecia ser um ano marcado pelas definições profissionais, transformou-se num ano de autoconhecimento, encontro espiritual e realização pessoal.

Engraçado como demorei a compreender que não somos donos das nossas decisões. Quanto mais eu ajo e penso que controlo absolutamente a minha vida, mais vejo que a vida se encarrega de frustrar os controles todos. Compreendo que aceitar a Deus como seu Senhor é confiar que o Seu controle, esse sim é o definitivo, e que todo o Seu agir é perfeito. Essa perfeição jamais será alcançada por mim.

Descansar nessa constatação, abrir a fresta para o amor do Pai entrar, foram as decisões que mais me deixaram em paz nesse ano. Não vieram sem luta, sem obstáculos, sem negações e não permaneceram sem objeções. Mas foram atitudes que venceram, dia a dia, e as quais luto para manter diante de tantas ofertas de autocontrole, de tantos argumentos contrários para nos provar.

Há um ano não saberia escrever uma linha inteira de agradecimento público a Deus sem vergonha ou sem medo de ser taxada de fanática. Hoje não entendo como pude ser tão ingrata.

Desejo que em 2012 o Senhor continue agindo e guiando a minha vida, entrego a  Ele o controle. Peço que o Miguel venha com saúde e muito amado por todos, que a minha família seja abençoada e que a minha vontade seja a vontade de Deus, porque aí sim tudo que acontecer será perfeito!

FELIZ 2012 a cada um de vocês que compartilham minhas indignações, contemplações, reclamações, agradecimentos, receitas, vídeos, felicidades, músicas.. que compartilham um pouco da minha vida, em todos os canais em que ela se faz presente. Que possam também sentir o amor de Deus.

Que Deus os abençõe.

BYE, BYE 2011!

BEM-VINDO 2012!

*** trecho que me acompanhou durante 2011:

“Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?

(Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;

Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. “

Mateus 6:31-34

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E o que são os blogs?

Tem algo muito nostalgia-depressão no ar por hoje. Não, não costumo ficar cinza no frio, mas hoje …

Nem a visita ao salão, nem o corte de cabelo.. pouco teve algum impacto no meu humor e o que teve foi suficiente para congelá-lo.

Pensando bem, isso costuma acontecer nos finais de tarde … é que tantos tantos finais assim não são sempre legais.

Ah, nem vem. Esse é meu blog, espaço pra eu ‘falar’ [algum figurão psicológico interior resolveu fazer auto-censura. Publica, não publica, publica, não publica? Veremos em breve].

 

Foto de Ulisses Tasqueti

 

Outra coisa chata que só.. esse censor que agora deu de querer impedir o desabafo.

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O Mundo de Carmela

Estava quase sempre calada. Gostava de poucas companhias. Brincava na rua, tinha trono de princesa no galho de árvore. Jogava basquete, fazia jazz, não se deu bem no balé. Talvez não tivesse talento suficiente, embora sua imaginação lhe permitisse dançar até no Bolshoi.

Aprendeu tricô, pintura em tecido, não se empolgou com crochê nem ponto-cruz, e até fez um curso de culinária para crianças. Estava com quase 10 anos. Queria ser americana e conhecer Nova Iorque. Tinha que aprender inglês. Venceu a resistência do pai, recebeu o apoio da mãe e uma bolsa de estudos integral para começar. Era tudo que precisava.

Se não andava falando na língua do P com a melhor amiga e companheira de todas as horas, brincavam de falar o inglês que não sabiam. Era Copa do Mundo de 1994, a bandana na cabeça era da bandeira americana. Sim, sempre teve uma queda por contrariar tudo que não lhe fosse justificado. Além de cantar obrigatoriamente vários hinos, incluindo o municipal, e de não ter escolhido onde nascer, também não poderia virar a casaca e torcer para a seleção que bem entendesse? Nem para o Senna ela dava atenção.

Pai fora preso na ditadura, achou por muitos anos que a mãe sempre tivesse sido socialista. Embora não entendesse muito bem, ganhava botons do partido e percebeu que, repetindo o monólogo socialista dos pais, recebia a atenção que um boletim recheado de boas notas não trazia. Desde cedo aprendeu a observar os Companheiros. Chorava na escola se falassem mal da classe operária e defender movimentos de todas as espécies não lhe exigiu esforços –  claro que lhe custou várias discussões com amigos, inimigos e um pouco de choro quando faltavam argumentos. Em época de Caras-pintadas, estava ao lado dos pais. Futuro brilhante como intelectual de esquerda. Tinha certeza que seus professores mais admirados pensavam isso dela. Não tinha um bom humor.

Mal chegou a oitava séria, cansou de sentar na frente, cansou de timidez. Chegou a quase reprovar no colegial. Os pais não ligaram. Que incrível certeza de que isso não era dela eles tinham! Permaneceu uma jogadora mediana, uma bilíngue mediana, deixou de dançar, nunca conseguiu tomar um verdadeiro porre, desenhava medianamente bem, obteve colocações medianas nos vestibulares, fez uma faculdade média, foi relativamente bem nos concursos que tentou. Teve o dom de ser classificada em 2ª chamada três vezes seguidas no vestibular – em outra faculdade mais ou menos – e não ver. Bom, garantiu um ano de cursinho.

Em dois meses, teve certeza de que escolhera o curso errado. Odiava tudo que era prático, mas nunca teve perseverança o suficiente para se aprofundar além do Mundo de Sofia. Leitora mediana. Jamais seria uma intelectual (hoje acha que isso foi bom). Embora se incomodasse com as brincadeiras, ficava na turma da zoação porque aquele discurso politicamente-correto era muito chato. Coisa de conservadores.

Sondou muitos credos. Não se deu bem com repúblicas. Terminou a faculdade sabendo o nome de quase todo mundo. Uma vitória. Até o fim do terceiro ano ainda não tinha conversado com todos. Não, não era de todo antipática, mas bom-dia pela manhã era pedir demais e, afinal, era muita gente pra conhecer. Por isso, talvez, tenha permanecido, não de forma contínua, no mesmo estágio a faculdade toda.

Levou um susto bem grande no fim da faculdade. Viu um filme de 22 anos de vida passar em 30s. Está certa de que teve uma experiência espiritual e já desistiu de contá-la pra quem quer que seja. Deus existe e o livre-arbítrio é real. Cada um terá sua hora de se deparar com algumas Verdades. Passou a contestar suas ideologias e a dar bom dia pela manhã. Percebeu que esquerda ou direita, toda velha posição se torna relativa quando se está no poder. Teve pena dos seus pais. Renegou o partido. Acredita em um Bem que é universal e tem tentado abandonar tudo que seja relativo. Encontrou seu amor.

Sabe que viveu coisas demais em menos de 30 anos. Do mais popular que conseguiu ser de volta à reserva da qual sempre gostou foi um pulo (um pulo meio brusco, talvez muitos não entendam. Melhor assim).

Sente muito ter perdido tanto tempo lutando pelo que hoje não acredita mais. Não acredita em dicotomias políticas, maniqueísmo, não acha a mínima graça em americanices, não acredita na separação das coisas. Há essência em tudo e cada coisa só se completa unindo o físico ao essencial. Há escolha para tudo e hoje pensa que ser conservador é se negar a tentar respeitar as dores do próximo. Está adepta do politicamente-correto desde que concluiu que, se alguém se ofende com determinada piada porque toca em alguma vulnerabilidade sua, aquilo não pode ser considerado humor.

Está casada, gosta de coisas em família (mas continua não gostando de ficar presa à tradições familiares), se tornou sedentária e ainda não é satisfeita com a ordem que lhe impõem (não sabe se será). Agora diz que vai tentar se aventurar mais pelo mundo real. Voltou das fantasias na Irlanda, dos livros não escritos, voltou à segunda língua que só domina em sonhos, pretende unir razão e fé e não sabe de que modo isso vai influenciar sua vida, mas sabe que vai.

Agora escreve um blog, faz terapia e saiu do protestantismo-não-praticante para um catolicismo-quase-praticante. Sabe que sem Deus, suas ideias nunca serão iluminadas. Aos poucos, o Mundo de Sofia vai ficar pequeno. E, depois de passar pela sua fase profissional mais prática,  volta a garotinha que, ciente de sua mediocridade, se permitia ser grande em sonhos e bailar no Bolshoi. Defende que, se não forem os grandes valores, que motor poderá nos impulsionar a realizar o melhor?

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