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Homem é preso 4 vezes indevidamente no Paraná: aborrecimento ou aberração?

Este post é um comentário a um trecho de notícia veiculada em  http://www.gazetadopovo.com.br/conteudo.phtml?id=1140113.

Após ter os documentos furtados e responder a alguns processos penais por estelionato indevidamente, incluindo quatro prisões, o senhor Gilmar dos Santos ajuizou uma ação de reparação de danos em face do Estado do Paraná e foi vitorioso em primeira instância.

Em relação aos fatos, os argumentos da procuradoria do estado usados em defesa das ações estatais, em síntese, são o que seguem:

“A defesa ainda alega que o governo apenas cumpriu a obrigação legal de investigar crimes, que Santos não reuniu provas sobre os danos morais sofridos e que ele teria tido apenas dissabores e aborrecimentos.” 

Não, queridos procuradores do Estado do Paraná. Ser preso 4 vezes indevidamente, por até 20 dias, por erro do Estado não é “cumprir o dever estatal de investigar” tampouco sentir um incômodo. Falar isso de dentro de uma sala confortável, com ar condicionado é fácil.

É muito vergonhoso propor uma linha de defesa dessa. Não é defensável.

Polícia e Justiça, mesmo que sejam passíveis de erro, não têm o direito de errar, especialmente às custas da liberdade de alguém. Errou, tem que haver responsabilidade. Ponto. Simples assim.

Se erraram,  pagamos nós por isso, pois falhamos como sociedade que delega a investigação e a punição para representantes, no mais das vezes sem preparo, sem estrutura e não cobramos um serviço sério.

Hoje é ele, amanhã pode ser qualquer um. Até que todos estejamos comprometidos com uma sociedade mais justa, com serviços eficientes, cobrando o bom desempenho do poder que é nosso e que delegamos a políticos e servidores, vamos continuar pagando pelo erro deles.

Injusto é esse senhor passar por tudo isso, ter que se defender em um monte de processo penal indevidamente e no final correr o risco que considerem oficialmente que tudo isso foi mero dissabor.

Não, Senhores, não faz parte.

O corretor de imóveis Gilmar dos Santos, preso indevidamente

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