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Insone Carmela

A noite caiu rápida mas o sono não chegava. Como de costume, se deitou sobre o lado esquerdo (dizem os livros que essa é a melhor posição para levar nutrientes ao bebê e diminuir o risco de aborto), olhou para o vazio escuro do quarto e lutou para esvaziar a mente.

De que adiantam as preocupações justo agora que está relativamente incapaz para resolvê-las por si? A única utilidade é lhe reservar outra noite mal dormida e outro dia sonolento.

Ah! Mas que bom que você tem sono de dia, assim pode dormir e o tempo passa mais rápido. Não, ela não queria dormir de dia. Queria ver o mundo, mesmo que continuasse o mesmo de cinquenta dias atrás. Não queria que o dia corresse assim, despercebido… já perdia energia demais com a dependência pela qual passa.

Quanto orgulho! Talvez. É pelo seu filho. É essa a razão que a faz continuar obediente. Se conhecessem um pouco mais da sua natureza, quem sabe, compreenderiam que esperar e aceitar tem sido seu maior exercício de humildade e abnegação. Mas é provável que seja ela mesma quem não permite maiores aproximações.  Não tem sido absolutamente difícil ou negativo, mas digamos que completamente fácil também não.

A noite veio, a leitura não colaborou, a mente continuava fervilhando de ideias e pensamentos e, como sempre, um texto para passar o tempo lhe ocorreu: detalhado, com vírgulas, exclamações, conteúdo e crases em perfeita sintonia e correção gramatical. Pena que na vida real não seja tão fácil assim acertar esse último detalhe. Deveria se envergonhar, afinal, já escreveu corretamente.

De texto mental para reflexão e da reflexão para conclusões ela não soube ao certo quanto tempo se passou. Pensou em gatos – as personagens centrais – e rotina alimentar e de sono – tema do último livro de cabeceira. Elaborou que, ainda que seus três filhos gatos sejam eternas crianças que destruíram as belas cadeiras e o sofá novos, são amáveis, dóceis, calmos e seguem uma mesma rotina desde filhotes – horário de comer, soneca do dia, horário de interagir e brincar, horário de dormir. Crianças não são felinos mas, para quem sempre foi mãe de bichanos, a comparação é sua referência mais próxima para se auto-avaliar como mãe. É, uma rotina flexível deverá dar certo.

E, feliz por se imaginar ao lado de uma criança segura e saciada, com sentimento de dever cumprido e orgulhosa porque conseguirá dormir razoavelmente melhor que agora apenas algumas semanas depois do nascimento do bebê, adormeceu. Em meio a um enredo de guerra, com castelo de gelo, mar, traições e encantamento, despertou no meio da madrugada. Sim, o sono havia vencido o constante estado de alerta. Mas nem tanto. Que seja… amanhã será um novo dia.

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Velhas Novas Resoluções de 2011 – Respeito à Vida

Início de 2011… lista de resoluções. Meio de 2011.. primeira oportunidade de fazer um balanço.

Voltei aos meus antigos arquivos e encontrei uma ideia que propus publicamente – adotar um bichinho. Eu já havia realizado isso algumas vezes durante a vida (coitada da minha mãe, que vivia com a casa cheia de gatos, cachorros, até tartaruga e um sapo), e resolvi fazer um post sobre adoção e posse responsável. Fiz, publiquei e  não me lembrei mais dele. Hoje, qual a surpresa? O resultado. Até onde sei, tal ideia foi posta em prática três vezes, por quatro pessoas diferentes.

Mia, Nina e Leo - nossos três resgatos.

Ontem fui carinhosamente cumprimentada como “mocinha dos gatos” por uma pessoa de quem gosto muito (embora não nos conheçamos fora do microblog). Amei e adotei a expressão! Então nada mais natural que meu post de hoje seja exatamente aquela (sempre atual) resolução: adote um amigo!

Acredito que cada um tem algo pelo qual se movimenta. Alguns são pelas crianças, outros pelos idosos, alguns militam pelo meio ambiente, outros por transparência na política e por aí vai. De fato, não acredito que exista uma causa melhor ou mais importante que a outra. Acredito que recortar o mundo em vários segmentos tem a única finalidade de organizar o trabalho. Repudio que seja só isso, só aquilo. Nossa vida é uma rede de relações e conexões com outras pessoas, com o ambiente, com a cultura.. somos multidimensionais. Por isso tenho tentado ligar o ‘foda-se’ quando vejo aquelas caras de paisagem e repúdio para a causa animal. Ela é a que me move e fico feliz que haja tanta gente movida por causas tão diferentes, porque somando todos esses recortes metodológicos do agir presume-se que nada ficará esquecido.

Segue a cópia do post!

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Pois é. Ano vai e ano vem, ganha força a moda do politicamente correto, mas em geral a tolerância por maus tratos a animais continua, afinal, “animal não é gente” (nunca escutou isso quando você levou seu animal no veterinário? Ou quando telou seu apartamento?). Eu torço pelo dia em que isso mude. 

Já pensaram que além de plantar árvores, escrever um livro e ter um filho, seria muito interessante e viável (pra muitos) que mais pessoas colaborassem adotando um animal? Ou mais simples, deixando de ser cego a eles? 

Que tal em 2011 colocarmos entre nossas resoluções (ainda dá tempo, todo dia é tempo de tentar ser melhor), o respeito à vida – o qual independe da espécie?

É muito doloroso todo dia, todo dia, todo dia, ter conhecimento das barbáries (são barbáries sim, nem de longe alguém suportaria cada coisa que vemos nesses casos) e se deparar com um ordenamento omisso, com autoridades omissas e, pior, tentar ser convencido de que é perda de tempo e de energia agir para que esse quadro mude. 

Pequenos atos podem fazer a diferença e ninguém precisa correr para uma ONG de protetores e virar voluntário. Se tá difícil enxergar, vou listar algumas coisas:

1 – adotar ao invés de comprar e se comprar, buscar saber a procedência – pra quem não sabe, alguns canis/gatis/criadouros são verdadeiros infernos;

2 – se informar sobre como se preparar para receber um animal, aliás, se informar sobre o animal – tempo de vida, alimentação adequada, segurança (ele e sua), posse responsável etc – essa não é uma decisão que deve ser tomada por um impulso cute-cute;

3 – levar o animal ao veterinário regularmente, vacinar, cuidar, proteger – veterinário não é item de luxo ou um profissional habilitado em pedigree; 

4 – não importa se gosta ou não, não maltratar – incluo aqui agressões físicas, brincadeiras de mal gosto (como provocar o animal), mantê-lo preso em corrente, deixar de alimentar, deixar de prestar socorro ou buscar quem possa fazê-lo;

5 – Rever alguns hábitos – ir a circo com animais, touradas, usar peles, rever a alimentação… (ops, tema controverso né.. mas veja, proteção e vegetarianismo não estão numa relação implicacional – nem todo protetor é vegetariano e nem todo vegetariano é protetor, embora concorde que o vegetarianismo, por si só, colabore com uma proteção mais completa; logo, proteção implica uma boa escolha sobre como se alimentar: baby beef, novilho precoce, fois gras etc, muita coisa nada mais é do que capricho, luxo, excesso de opção – você pode não querer/poder viver sem carne, mas certamente não vai morrer se escolher melhor o seu prato).

Todo dia podemos adotar novos hábitos – dos pequenos aos maiores – que mudem o mundo pra melhor. Meu desejo é que neles possamos incluir o respeito: ao outro, a outra vida, ao planeta, a nós.

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