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Um adendo inesperado…

Se pudesse, ela cairia de boca numa empada de frango e depois comeria um sorvete de chocolate meio amargo para se fazer um agrado. Como não pode, ela afoga a tristeza momentânea num potinho de iogurte de soja com uma colher de granola sem açúcar. Melhor que nada.

Há uma correção que ela precisa fazer no post anterior, mas a sensação de ter perdido o controle não a permite. Essa semana, certamente, Carmela não vai adiar a terapia.

Foi atleta amadora grande parte de sua vida, sabe que é necessário saber perder, mas não gosta. Não queria que tivesse chegado a hora de levar a sério as palavras “se for pelo bem do meu filho, tudo bem fazer uma cesárea”. Pareciam tão distantes, tão não-suas. Agora são uma possibilidade real e isso a assusta.

O corpo de uma grávida não é exclusivamente seu. Não concorda com quem grita aos sete ventos que uma mulher gestante pode fazer o que quiser com seu corpo. Mas acredita que não perdeu o direito de sentir alegria ou pesar por ele. Uma cesárea nunca esteve nos seus planos porque Carmela simplesmente não queria escolher quando o outro que lhe habita veria a luz. Mas não só isso, ela queria velar pela integridade do seu corpo, já marcado por tantas cicatrizes e já acostumado desde jovem a bisturis. Não, dessa vez não. Aquela equipe, aqueles instrumentos, não sentir parte de si, saber que está sendo cortada e depois… não ter o contato imediato com seu filho, ficar sozinha se recuperando e quando pudessse finalmente estar inteira pra ele, se ver na condição de depender, sentindo dores por dias, outro corte pra cuidar, outra limitação… não, não dessa vez.

É uma cirurgia, é essa a visão e o sentimento que se apodera dela quando pensa nesse tipo de parto. Não, não dessa vez. Mas hoje ouviu pela primeira vez o que tem tentado não escutar. Sim, muito provável que dessa vez. Bebê sentado, há mais de um mês. É desse modo que ele está encaixado. E agora, mais que nunca, se torna real a máxima: tudo pelo bem estar e pela segurança do seu filho.

Não haverá discussão se a chance real se tornar uma sentença. Sem recursos, sem contra-argumentos. Saber perder, mesmo que não goste. Nesse momento, tudo que ela quer é não perder o direito de lamentar pelo seu corpo.

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Retro 2011 e Feliz 2012!

Eu mal sei por onde começar. Esse é um post bem pessoal. Dos que lerem, sei que alguns pensarão: por que ela não guardou pra ela? Mas sinto imensa vontade de compartilhar com aqueles que tiverem saco e vontade.

Já me convenci que na minha vida tudo ocorre em ciclos: fases de perfeita harmonia, fases de grandes frustrações e decepções, fases de indefinições, fases de harmonia novamente. Parece que é assim com todo mundo, e deve ser mesmo. O que eu não posso negar pra mim mesma nem para os outros é que, por mais que eu possa parecer uma pessoa frágil, coraçãozinho aqui já enfrentou fortes emoções de todas as polaridades, negativas e positivas. E sobreviveu.

Não tenho vergonha de dizer que acredito saber lidar melhor com grandes surpresas do que com pequenas frustrações e alegrias do dia a dia. Lembro da primeira semana no meu último trabalho: precisava fazer algumas ligações simples para informar parceiros de que estávamos na ativa novamente. Tremia e gaguejava e não sabia como fazer. Posterguei até o limite e só sei que agi bem porque estava sob a pressão do tempo e de novas tarefas. Ou seja, acabo de entender porque meu marido diz que complico coisas simples (blog também é terapia).

Enfim.. por que essa volta mesmo? Ah! Em 2011 vivi uma fase de transição daquelas bem “haja coração”. Mas quem dera todos os enfrentamentos e mudanças fossem tão positivos!

Comecei o ano trabalhando na área que gosto e me preparando para o mestrado – ou seja, mentalmente, estava definido que daqui pra frente meu futuro profissional sairia dos planos e sonhos e seria brilhante!

Mas algo não estava no lugar no meu coração. E foi tentando consertá-lo para ter paz e seguir meu super futuro profissional que procurei entendê-lo a partir de algumas ações.

Parei de trabalhar, temporariamente, para me dedicar aos estudos. Em paralelo, tentei me dedicar mais ao meu casamento e a fiéis e bons amigos. Voltei a fazer terapia, abri mão dos alimentos que me fazem mal e, o mais importante, busquei novamente a Deus. Em resumo, tentei colocar físico, emocional e espiritual em harmonia.

Digo que o mais maravilhoso foi sentir o amor de Deus. Sou cristã de batismo, com algumas escapulidas ocasionais.. mas o Senhor nunca desistiu de mim. Me deu na vida duas chances de viver – 1983 e 2006 – e senti que estava fazendo dela algo menor. Ele sempre se fez presente, mesmo quando O reneguei. Uma hora, o filho à casa torna. E Ele, como Pai, nos recebe prontamente. Deus é uma cara tão educado que não força a porta do nosso coração, fica ali do lado, esperando o nosso convite para entrar ou a nossa volta.

Nessa caminhada, contei com o apoio de padrinhos, amigos, família e de um padre, me incentivando e orientando, e do Ulisses, que sempre respeitou minha caminhada. Foram os primeiros grandes presentes de 2011.

Nessa busca, uma Mãezinha que sempre rejeitei se revelou. E a partir da aceitação dela, muitos outros relacionamentos começaram a ser reconstruídos e passei a compreender meu desejo oculto de ser mãe. Então, um pedido de resposta do reveillon passado foi atendido e esse desejo compartilhado.

Aguardamos a chegada do Miguel, sem dúvidas, a maior bênção e o maior de todos os presentes desse ano. Embora seja uma gestação tranquila, cuja orientação atual é não engordar nos próximos meses no mesmo ritmo do último, rsrsrs, já teve suas pequenas lutas e grandes vitórias (o que já foi registrado aqui no blog), o que a torna ainda mais especial.

Nesse meio tempo, conquistamos várias coisas como casal. Hoje, tudo parece ter acontecido sucessivamente, no momento certo para que o que viesse depois tivesse onde e como se apoiar. Vejo claramente a mão e o tempo de Deus em cada projeto realizado – sonho preexistente ou não.

Pois é. O que parecia ser um ano marcado pelas definições profissionais, transformou-se num ano de autoconhecimento, encontro espiritual e realização pessoal.

Engraçado como demorei a compreender que não somos donos das nossas decisões. Quanto mais eu ajo e penso que controlo absolutamente a minha vida, mais vejo que a vida se encarrega de frustrar os controles todos. Compreendo que aceitar a Deus como seu Senhor é confiar que o Seu controle, esse sim é o definitivo, e que todo o Seu agir é perfeito. Essa perfeição jamais será alcançada por mim.

Descansar nessa constatação, abrir a fresta para o amor do Pai entrar, foram as decisões que mais me deixaram em paz nesse ano. Não vieram sem luta, sem obstáculos, sem negações e não permaneceram sem objeções. Mas foram atitudes que venceram, dia a dia, e as quais luto para manter diante de tantas ofertas de autocontrole, de tantos argumentos contrários para nos provar.

Há um ano não saberia escrever uma linha inteira de agradecimento público a Deus sem vergonha ou sem medo de ser taxada de fanática. Hoje não entendo como pude ser tão ingrata.

Desejo que em 2012 o Senhor continue agindo e guiando a minha vida, entrego a  Ele o controle. Peço que o Miguel venha com saúde e muito amado por todos, que a minha família seja abençoada e que a minha vontade seja a vontade de Deus, porque aí sim tudo que acontecer será perfeito!

FELIZ 2012 a cada um de vocês que compartilham minhas indignações, contemplações, reclamações, agradecimentos, receitas, vídeos, felicidades, músicas.. que compartilham um pouco da minha vida, em todos os canais em que ela se faz presente. Que possam também sentir o amor de Deus.

Que Deus os abençõe.

BYE, BYE 2011!

BEM-VINDO 2012!

*** trecho que me acompanhou durante 2011:

“Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?

(Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;

Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. “

Mateus 6:31-34

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Insone Carmela

A noite caiu rápida mas o sono não chegava. Como de costume, se deitou sobre o lado esquerdo (dizem os livros que essa é a melhor posição para levar nutrientes ao bebê e diminuir o risco de aborto), olhou para o vazio escuro do quarto e lutou para esvaziar a mente.

De que adiantam as preocupações justo agora que está relativamente incapaz para resolvê-las por si? A única utilidade é lhe reservar outra noite mal dormida e outro dia sonolento.

Ah! Mas que bom que você tem sono de dia, assim pode dormir e o tempo passa mais rápido. Não, ela não queria dormir de dia. Queria ver o mundo, mesmo que continuasse o mesmo de cinquenta dias atrás. Não queria que o dia corresse assim, despercebido… já perdia energia demais com a dependência pela qual passa.

Quanto orgulho! Talvez. É pelo seu filho. É essa a razão que a faz continuar obediente. Se conhecessem um pouco mais da sua natureza, quem sabe, compreenderiam que esperar e aceitar tem sido seu maior exercício de humildade e abnegação. Mas é provável que seja ela mesma quem não permite maiores aproximações.  Não tem sido absolutamente difícil ou negativo, mas digamos que completamente fácil também não.

A noite veio, a leitura não colaborou, a mente continuava fervilhando de ideias e pensamentos e, como sempre, um texto para passar o tempo lhe ocorreu: detalhado, com vírgulas, exclamações, conteúdo e crases em perfeita sintonia e correção gramatical. Pena que na vida real não seja tão fácil assim acertar esse último detalhe. Deveria se envergonhar, afinal, já escreveu corretamente.

De texto mental para reflexão e da reflexão para conclusões ela não soube ao certo quanto tempo se passou. Pensou em gatos – as personagens centrais – e rotina alimentar e de sono – tema do último livro de cabeceira. Elaborou que, ainda que seus três filhos gatos sejam eternas crianças que destruíram as belas cadeiras e o sofá novos, são amáveis, dóceis, calmos e seguem uma mesma rotina desde filhotes – horário de comer, soneca do dia, horário de interagir e brincar, horário de dormir. Crianças não são felinos mas, para quem sempre foi mãe de bichanos, a comparação é sua referência mais próxima para se auto-avaliar como mãe. É, uma rotina flexível deverá dar certo.

E, feliz por se imaginar ao lado de uma criança segura e saciada, com sentimento de dever cumprido e orgulhosa porque conseguirá dormir razoavelmente melhor que agora apenas algumas semanas depois do nascimento do bebê, adormeceu. Em meio a um enredo de guerra, com castelo de gelo, mar, traições e encantamento, despertou no meio da madrugada. Sim, o sono havia vencido o constante estado de alerta. Mas nem tanto. Que seja… amanhã será um novo dia.

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A espera de Carmela

E agora ela se sentia com todo o tempo do mundo mas sem conseguir fazer nada com ele.

Ela leu, refletiu sobre seus humores, conversou com aquele ou aquela que a faz amar e esperar; também viajou, dormiu e aprendeu a gostar de algumas coisas na televisão. Mas nada disso adiantava. Era como se o último elo com o mundo exterior estivesse preso na conexão lenta que ela pediu para cancelarem na última sexta.

E assim, dia após dia, seu interesse pela internet e por desvendar lugarezinhos escondidos em endereços virtuais crescia. A sede por participar, de alguma forma, de um mundo que poderia ser moldado de acordo com sua necessidade aumentava e aos poucos o interesse por outras atividades foi sumindo.

Sim, muitas vezes ela se enjoava da monotonia que uma tarde parada de twitter traz. Mas logo passava, quando encontrava uma alma engraçada, um amigo, conhecido ou não, verdadeiramente interessado, artes novas para conhecer. ‘Como é bom um lugar para fugir, com pessoas para conversar!’

Aos poucos os pensamentos e planos e a vontade de desenhar têm voltado. Depois de procrastinar, é bem possível que ela passe a realizá-los. Acredita-se mesmo é que todo tipo de fuga vem para fazê-la esquecer o quanto é ruim se sentir sozinha quando sente que mais precisa ou como é complicado se culpar por pensar assim. ‘A vida continua para o mundo’.

Because no matter where you run, you just end up running into yourself.

No fundo, no fundo, ela sente que pode ter um pouco de companhia, falando e talvez sendo ouvida.

‘Há muita realidade onde só atribuem virtualidade.’

Como a vida faz falta.

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Os heróis de Carmela

A Carmela é uma das pessoas mais teimosas que eu conheço. Tem ideias fixas, prova coisas de que não gosta e faz coisas que não a satisfazem por ter mania de acreditar que talvez sejam assim porque não tentou. Prova disso é que segue amando e odiando sua profissão, embora piamente creia que oscilar essas fases seja absolutamente natural. No fundo, sabe que pode ser muito boa nisso, pretende mudar o mundo, crê que esse é o seu caminho e acha que se mudar a essa altura do campeonato vai sofrer e se frustar mais do que está disposta.

Sua teimosia a impele a responder qualquer pergunta que lhe instigue, mesmo que deva esclarecer que fala com base em opiniões pessoais, sem nenhum fundamento científico (até porque agora sabe que não é e nunca foi cientista e, a menos que mude de área, será sempre uma artista). Por essa razão, poucas vezes não soube o que dizer.

A primeira vez que não soube o que responder ficou sem chão por dias. A última vez foi há pouco. Inexplicavelmente, apesar de terem sido formuladas em contextos diferentes e por pessoas sem nenhuma conexão, estão completamente interligadas e se desmembram em infindáveis questionamentos que a consomem.

“Carmela, quem você admira?”

“Carmela, você precisa de um herói”.

 Herói é aquele em quem você se espelha? É aquele que você admira? Que tamanhos têm os feitos de um herói?

Ficou confusa ao notar que ela, que sempre achou que admirasse os responsáveis pelos grandes feitos da humanidade, era incapaz de apontar um único que considerasse admirável o bastante para ter como herói. Grandes personalidades que viveram e vivem nesse mundo fazem coisas grandiosas. Mas não pôde apontar nenhuma que significasse alguma coisa pra si.

Além de confusa, ficou triste. “Carmela, você precisa de um herói”. E ela continuou buscando uma pessoa grandiosa real, de feitos reais, cujos valores, comportamentos, ações fossem grandes e irretocáveis. Deu-se conta de que não haverá um só desta Terra (para frisar que Jesus ocupa, para ela, uma posição de perfeição indiscutível) que se encaixe no ideal que impôs ao seu herói particular. Ficou mais triste ainda por fantasiar humanos perfeitos e se forçar à constante frustração.

Eu poderia listar várias pessoas que Carmela admira, tão diferentes e tão iguais. Sobretudo, Carmela admira aqueles que ensinam mesmo sem essa intenção, que orientam sem imposição, que baseiam suas ações no respeito e que não tem medo de mudar para serem melhores. Carmela admira pessoas que amam e são humildes, pois seu orgulho a leva a esconder esses sentimentos que ela gostaria de expressar e praticar com mais frequência e espontaneidade. Percebeu que, somando tudo, não haverá uma única pessoa que ostente o conjunto de qualidades que deveriam se reunir no seu herói. Quanta idealização! (Carmela traça estratégias mentais, mas se sabota com seu eterno idealismo).

“Carmela, você não vai achar pessoas perfeitas, mas você precisa ter alguém a quem admirar”.

Ela pensou. E no terceiro dia riu ao constatar que se deixou, novamente, levar pela fantasia que o nome “herói” lhe trouxe. Assim, deixando de imaginar que pastéis de angu são recheados de polenta sem sal e que queijo de porco é feito à base de leite de uma leitoa ordenhada, constatou que conhece não só uma, mas algumas pessoas reais e admiráveis e nas quais, sem notar, ela já tem se espelhado há anos – seus heróis. Quis retomar a conversa, sorrir e dizer: “eu me equivoquei, Micalba, eu tenho heróis, embora alguns deles, que há tempos têm me ensinado sobre eles, jamais tenham pretendido estar nessa posição”.

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Conversando com a Carmela …

… contei que hoje visitei uma nova nutricionista. Antes que pensem que estou doente de novo (sou muito zicada.. um dia eu conto), eu só estou tentando organizar os detalhes para levar uma vida mais normal, funcionalmente falando. É horrível sempre ter que encaixar horários para tudo em função do organismo que não trabalha direito [tá, eu também sei que levar uma vida sedentária não colabora, mas isso também está sendo providenciado. O que não dá mais é comer e ficar me sentindo horrível depois, estufada, com mal estar e ser apenas visita esporádica no trono do nosso reino].

Algum desavisado pode me achar a pessoa mais hipocondríaca do mundo. Advirto: já me curei desse mal (eu acho). Mas é fato que o conjunto da obra não andava muito equilibrado. Desde março, parei de trabalhar para investir num projeto egocêntrico: eu. Faz parte disso: controlar a ansiedade (terapia), organizar o espírito (reencontro com Deus), cuidar da mente e do intelecto (estudar pro mestrado, ler, ver filmes e também escrever no blog). Hoje dei mais um passo: cuidar da alimentação (nutricionista) e segunda-feira retomo meu acompanhamento com o ortopedista pra voltar a fazer atividades físicas. Não poderia fazer nada disso se não fosse pelo Ulisses. É fundamental ter o apoio dele. Não dá pra expressar o amor e a gratidão que sinto.

_ Enfim … qual é mesmo o propósito desse post, Melina?

_ Avisar que é bem possível que os posts culinários apareçam com mais frequência por aqui. Também é possível que meu Jardim fique mais ativo, ao lado das reflexões (que andam em baixa).

_  Hmm.

_ Não espero que gostem, apenas que não se incomodem tanto com a pouca diversidade de temas e não sumam de vez.

_ Vamos tentar.

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Umbigocêntrica Carmela

Ela aprecia superação: se superar e superar as expectativas; nem sempre gosta de ser superada, mas aprecia que lhe superem as expectativas também. Pensa que quem não liga pra isso tem alguma coisa errada.  Mas tem um lado ruim nessa apreciação e exigência de superação. Se qualquer coisa sai do eixo, dos planos ou das expectativas, a culpa é sua. Tem um dedo do tamanho do mundo, porque não consegue admitir que não há culpados ou que a culpa não é sua. Não, ela nunca se sente bem delegando a causa para os outros; se o faz, se culpa e se culpa só de pensar em fazê-lo.

Que peso deve sentir!

Se algo dá certo, podia ter contribuído ou contribuído mais, mas se dá errado …. ai! que o censor já apita: ‘Foi ela!’. Foi ela que não fez como devia, não estudou como devia, fez mais que devia, fez menos que devia, não fez, não deixou que fizessem, deixou que fizessem, não pensou ou pensou demais, previu errado, não previu!, não deveria ter feito, não era sua atribuição, deveria ter ensinado melhor, não aprendeu direito, não atendeu às expectativas (malditas expectativas.. para ela, ninguém deveria cultivar essa esperança ruim, porque é uma esperança que geralmente frustra alguém).. e segue uma infindável lista de dever-ser não sido, ou sido inadequado.

Eu não sei bem você, mas tenho acreditado que isso não é humildade não. É umbigocentrismo. Ela precisa se curar disso, mas não sou eu quem vou falar. Ela se culpa por não ser humilde.

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