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Miguel: resumo dos 20 dias

AVISO: ESSE POST VAI SER LONGO.

Cá estamos. O Miguel já completou 20 dias.

20 dias 😉

Com 38 semanas de gestação, em 26 de março de 2012, pesando 2795g e com 48cm, nasceu nosso filhote. Veio de cesárea, mamãe ansiosa, papai empolgado… chegou de bundinha pra cima e fazendo xixi em todo mundo. Antes do choro, ouvi o papai “Eeeeee que mijada!” e risadaria geral. Chegou em clima de festa! Chorou, chorei, pedi que Deus o abençoasse.

Senti alegria em meio ao medo da cirurgia.. senti dor na altura do diafragma, mas não me lembro da explicação… olhei meu magrelo sendo deitado do meu lado e calando assim que ouviu a minha voz… senti ansiedade pela demora para sair de lá… senti saudade do meu filho enquanto o esperava na sala de recuperação… senti falta do meu marido segurando a minha mão no começo de tudo e senti alívio e segurança quando ele chegou. Senti, senti e senti. Passei os dias na maternidade só sentindo.

O Miguel é calmo desde o nascimento. Na primeira semana tivemos que abandonar a livre demanda e o acordávamos de tempo em tempo para mamar, porque senão ele embalava horas dormindo. Jamais se assustou com colos diferentes, ambientes distintos ou sons.  Viemos pra casa e o anjinho continuou, mesmo nas noites em que pai e mãe resolveram assumir tudo por conta e risco sem ajuda da vó Dida, durante as quais ele sabiamente reclamou mais (afinal, cadê as mãos experientes de quem estava cuidado de mim?).

Nesses poucos dias de vida já vivemos todos os momentos possíveis. Rolou aquele blues puerperal – o desespero-tristeza-medo-choradeira – típico das mães novas; rolou orgulho e força danados. A vontade de ser mãe em tempo integral pra sempre bate desesperada no meu peito. Olho pro Miguel e não sei como pude não desejá-lo mais cedo!

A recuperação da cesárea, tipicamente, não é um bicho de sete cabeças. É normal alguma dorzinha e os dias mais chatos são os do hospital, nos quais você está plenamente amparada.

Nossa dificuldade veio logo depois, ainda no dia que voltamos.. comecei a sentir a região da incisão mais quente que o normal e apareceu um vermelhão. A dor diminuía com repouso. Deixei passar um dia. No dia seguinte voltou – início de infecção – e já comecei a tomar antibiótico. Nesse tempo, o Miguel mamava pouco. Tivemos ajuda de uma enfermeira obstetriz, a Daniela, para que ele mamasse. Com 5 dias de vida, ele perdeu a “preguiça” e começou a mamar. Ao mesmo tempo a infecção dava sinais de regressão.

No 6º dia pós parto a dor voltou e um inchaço diferente apareceu. Sentar era dolorido, deitar também. Com repouso parecia que  melhorava, mas era só impressão. Não havia hiperemia. No dia em que tudo completou uma semana toda a situação piorou em questão de horas. Hiperemia, dor, inchaço… só conseguia ficar de pé. Em resumo, o dia foi assim: obstetra viajando, visita providencial de uma amiga, a Paty, que conversou com o marido médico e correria pro PS.

Ali entrei, ali fiquei. Plantonista, cirurgião e infectologista atenderam. Medo, pânico, choro, saudade do meu bebê, choro, saudade do meu filho, choro, medo… e assim sucessivamente. Tive uma infecção hospitalar (o antibiótico que tomei em casa deu conta até certo ponto, depois não, por isso a melhora temporária). Não cabem explicações maiores aqui, mas o fato é que fiquei internada por 8 dias. Ainda naquela segunda-feira, iniciei medicação para, no dia seguinte, reabrirem o local e fazer a limpeza, drenagem e troca dos fios da sutura (tipo uma nova cesárea em uma semana).

Graças a Deus o Miguel pode ficar comigo e, apesar das dificuldades inerentes à situação, mantive a produção de leite e o aleitamento materno exclusivo.

Desde a última terça estamos em casa. Contei, durante todo o período, com a graça de Deus e o apoio da nossa Mãezinha. Nossa família foi especial, se revezando nos cuidados no hospital. Minha mãe esteve comigo enquanto pode e foi uma guerreira vencendo cansaço, dores e privação de sono para cuidar de mim e do Miguel no hospital e em casa. Não menosprezo nem diminuo os outros cuidados que tivemos e temos, mas colo de mãe é fundamental!

O Miguel continua calmo, tranquilo, está ótimo e recuperando bem seu peso. Tivemos problema com o pediatra que o recepcionou, mas agora podemos dormir tranquilos de que está novamente em boas – e atenciosas – mãos. Desse episódio aprendemos como é verdadeira a máxima de virar leões pelos filhos.

No hospital, as enfermeiras diziam que o bebê sabe quando a mãe precisa de descanso. Ouso dizer que nossa comunicação não verbal está em sintonia. Durante os dias mais difíceis da internação pensei em desistir de toda a luta para amamentar (era muito complicado e dolorido, mas quando conseguíamos era demais!)… sei que ele sentiu… simplesmente abandonou o peito. Sofri por mim e por ele e nossa família, novamente, compartilhou de tudo. Novamente a Daniela nos ajudou. Pedi muito a Deus que restaurasse tudo e nosso menino voltou a se alimentar.

Sempre brinquei que, em razão das dificuldades da gravidez, o Miguel já era nosso anjinho guerreiro. Hoje não tenho dúvidas. Em 20 dias ele viveu tanta coisa para um RN que me espanto como pode ser tão tranquilo! Agora choro de alegria com os sorrisos/espasmos, com a mão engordandinho, com os olhinhos vivos…

Quando ele faz a pega certinha, começa a derramar leite pelo canto da boca de tanto que mama, me olha procurando minha voz ou procura pelo Ulisses quando ele lhe fala, quando se acalma com o carinho que lhe ofertamos … vejo que os dias de dor e luta valeram a pena. Antes comigo do que com ele. Valem as noites mal dormidas, vale a mamada do soninho, a do conforto, o colo, vale correr pra ver quando ele chora, vale quebrar a cabeça para decifrar o choro diferente, vale atender prontamente as suas necessidades, vale a livre demanda, vale tudo, tudo, que significar amor e cuidado.

Em 20 dias não tenho muita experiência nas funções de mãe em razão de tudo que passei. Ainda preciso de cuidados por 30 dias e estamos tendo ajuda de enfermeiras para isso – a Cirene, a Regiane e a Diana (que agora está cuidando das roupinhas dele). Sou a mamãedeira oficial por enquanto, mas quero permanecer nessa função com muita alegria pelo tempo que puder!!!

Queria fazer uma lista nominal de agradecimento, mas a cabeça pode não funcionar adequadamente nessa altura do campeonato… então meu muito obrigada de coração aos nossos pais, a nossa família, aos médicos e a nossa médica, Drª Aline, que não arredou o pé um único dia (ela chegou no dia seguinte da internação e desde antes já instruía tudo), à Dani e suas mãos de fada, às enfermeiras que nos ajudaram e ajudam e aos amigos que nos deram e dão apoio. Deus, meu muito obrigada especial a Ti, que está cuidando de nós sempre e sempre. E um agradecimento mais que especial ao meu esposo que tem segurado as pontas de tudo e ainda dividido os cuidados com o Migs (sim, aqui é ele quem dá banho, troca, faz dormir etc) e comigo. Te amo muito e sou muito realizada pela família que me deu.

Bom, enquanto espero pela próxima mamada, to aqui, jogando informação na tela, atualizando as notícias e ajudando meu coração e minha cabeça a assimilarem tudo o que aconteceu, enquanto espero o Migs acordar para tomar banho e mamar (já ansiosa para isso =])

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Retro 2011 e Feliz 2012!

Eu mal sei por onde começar. Esse é um post bem pessoal. Dos que lerem, sei que alguns pensarão: por que ela não guardou pra ela? Mas sinto imensa vontade de compartilhar com aqueles que tiverem saco e vontade.

Já me convenci que na minha vida tudo ocorre em ciclos: fases de perfeita harmonia, fases de grandes frustrações e decepções, fases de indefinições, fases de harmonia novamente. Parece que é assim com todo mundo, e deve ser mesmo. O que eu não posso negar pra mim mesma nem para os outros é que, por mais que eu possa parecer uma pessoa frágil, coraçãozinho aqui já enfrentou fortes emoções de todas as polaridades, negativas e positivas. E sobreviveu.

Não tenho vergonha de dizer que acredito saber lidar melhor com grandes surpresas do que com pequenas frustrações e alegrias do dia a dia. Lembro da primeira semana no meu último trabalho: precisava fazer algumas ligações simples para informar parceiros de que estávamos na ativa novamente. Tremia e gaguejava e não sabia como fazer. Posterguei até o limite e só sei que agi bem porque estava sob a pressão do tempo e de novas tarefas. Ou seja, acabo de entender porque meu marido diz que complico coisas simples (blog também é terapia).

Enfim.. por que essa volta mesmo? Ah! Em 2011 vivi uma fase de transição daquelas bem “haja coração”. Mas quem dera todos os enfrentamentos e mudanças fossem tão positivos!

Comecei o ano trabalhando na área que gosto e me preparando para o mestrado – ou seja, mentalmente, estava definido que daqui pra frente meu futuro profissional sairia dos planos e sonhos e seria brilhante!

Mas algo não estava no lugar no meu coração. E foi tentando consertá-lo para ter paz e seguir meu super futuro profissional que procurei entendê-lo a partir de algumas ações.

Parei de trabalhar, temporariamente, para me dedicar aos estudos. Em paralelo, tentei me dedicar mais ao meu casamento e a fiéis e bons amigos. Voltei a fazer terapia, abri mão dos alimentos que me fazem mal e, o mais importante, busquei novamente a Deus. Em resumo, tentei colocar físico, emocional e espiritual em harmonia.

Digo que o mais maravilhoso foi sentir o amor de Deus. Sou cristã de batismo, com algumas escapulidas ocasionais.. mas o Senhor nunca desistiu de mim. Me deu na vida duas chances de viver – 1983 e 2006 – e senti que estava fazendo dela algo menor. Ele sempre se fez presente, mesmo quando O reneguei. Uma hora, o filho à casa torna. E Ele, como Pai, nos recebe prontamente. Deus é uma cara tão educado que não força a porta do nosso coração, fica ali do lado, esperando o nosso convite para entrar ou a nossa volta.

Nessa caminhada, contei com o apoio de padrinhos, amigos, família e de um padre, me incentivando e orientando, e do Ulisses, que sempre respeitou minha caminhada. Foram os primeiros grandes presentes de 2011.

Nessa busca, uma Mãezinha que sempre rejeitei se revelou. E a partir da aceitação dela, muitos outros relacionamentos começaram a ser reconstruídos e passei a compreender meu desejo oculto de ser mãe. Então, um pedido de resposta do reveillon passado foi atendido e esse desejo compartilhado.

Aguardamos a chegada do Miguel, sem dúvidas, a maior bênção e o maior de todos os presentes desse ano. Embora seja uma gestação tranquila, cuja orientação atual é não engordar nos próximos meses no mesmo ritmo do último, rsrsrs, já teve suas pequenas lutas e grandes vitórias (o que já foi registrado aqui no blog), o que a torna ainda mais especial.

Nesse meio tempo, conquistamos várias coisas como casal. Hoje, tudo parece ter acontecido sucessivamente, no momento certo para que o que viesse depois tivesse onde e como se apoiar. Vejo claramente a mão e o tempo de Deus em cada projeto realizado – sonho preexistente ou não.

Pois é. O que parecia ser um ano marcado pelas definições profissionais, transformou-se num ano de autoconhecimento, encontro espiritual e realização pessoal.

Engraçado como demorei a compreender que não somos donos das nossas decisões. Quanto mais eu ajo e penso que controlo absolutamente a minha vida, mais vejo que a vida se encarrega de frustrar os controles todos. Compreendo que aceitar a Deus como seu Senhor é confiar que o Seu controle, esse sim é o definitivo, e que todo o Seu agir é perfeito. Essa perfeição jamais será alcançada por mim.

Descansar nessa constatação, abrir a fresta para o amor do Pai entrar, foram as decisões que mais me deixaram em paz nesse ano. Não vieram sem luta, sem obstáculos, sem negações e não permaneceram sem objeções. Mas foram atitudes que venceram, dia a dia, e as quais luto para manter diante de tantas ofertas de autocontrole, de tantos argumentos contrários para nos provar.

Há um ano não saberia escrever uma linha inteira de agradecimento público a Deus sem vergonha ou sem medo de ser taxada de fanática. Hoje não entendo como pude ser tão ingrata.

Desejo que em 2012 o Senhor continue agindo e guiando a minha vida, entrego a  Ele o controle. Peço que o Miguel venha com saúde e muito amado por todos, que a minha família seja abençoada e que a minha vontade seja a vontade de Deus, porque aí sim tudo que acontecer será perfeito!

FELIZ 2012 a cada um de vocês que compartilham minhas indignações, contemplações, reclamações, agradecimentos, receitas, vídeos, felicidades, músicas.. que compartilham um pouco da minha vida, em todos os canais em que ela se faz presente. Que possam também sentir o amor de Deus.

Que Deus os abençõe.

BYE, BYE 2011!

BEM-VINDO 2012!

*** trecho que me acompanhou durante 2011:

“Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?

(Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;

Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. “

Mateus 6:31-34

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Amor maior do mundo!

Que estranho amor é esse que já existia antes de você existir?

Que felicidade e alegria são essas que de tão extremas pensei jamais conseguir sentir?

Quantas novas (e divertidas) (e inseguras) experiências em tão poucos dias? E quantas tantas ainda virão?

Prometi, bebê, qua não falaria de você no blog ou em outras redes sociais antes da nossa primeira visita ao obstetra, na segunda. Mamãe não conseguiu cumprir totalmente. Contudo, prometo que o post mais importante das nossas vidas ainda vai ser gerado.. não sei quando, não sei como. Mamãe sabe que não vai conseguir usar as palavras mais apropriadas ou expressivas desta vez e está se preparando para isso. Ganhei meu Moleskine de capa vermelha e meus lápis 6B pra te encher de mensagens e desenhos, como desejei, e esse lado está funcionando melhor que aqui.

Amigos, sei que compreenderão agora porque não tenho atualizado propriamente o Jardim. Tenho feitos lentos e demorados passeios por esse espaço, mas a indignação que, em geral, me dá energia para escrever, aos poucos tem cedido à contemplação das coisas novas que habitam meu mundinho.

Mamãe Mel e Bebê bem loguinho 😉

Da alegria sem (ou com muito) sentido à insegurança por pequenas mudanças no corpo; da excitação para conhecer à surpresa das descobertas do mundo RN, bebê e infantil; da experiência incrível de estar grávida de galerinha (além de mim, mais três amigas, sendo duas da mesma turminha, e algumas conhecidas) à pontinha de tristeza por estar longe da minha mãe –  não, não é culpa exclusiva dos hormônios. Se eu continuar tranquila assim pelas próximas 30 e poucas semanas tá mais que bom! É muita coisinha e coisona ocupando um cérebro só, então estou monotemática mesmo e, de certa forma, tenho tentado poupá-los disso, rs (não, o Ulisses eu não poupo hehehe).

Meu Jardim agora está mais bonito, com um@ filhote a caminho pra brincar, amar e cuidar comigo. Que graça o Senhor nos concedeu!!! E definitivamente, agora sinto mais prazer em dizer que meu Jardim é muito Divino!!!

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Celebração aos 4 sentidos

Não tinha como não compartilhar essa Celebração aos 4 Sentidos. Esse vídeo é sobre irmãos que fazem uma homenagem aos pais, que são cegos. Só consigo expressar que é Tocante!

 

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